terça-feira, 15 de março de 2011

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS – HISTÓRIA - ENSINO FUNDAMENTAL

A História é feita de versões. Um mesmo acontecimento pode ser contado de mil formas diferentes. Tomemos um acidente de trânsito como exemplo. O fato: um carro atropela um pedestre que atravessava a rua sobre a faixa de segurança. A versão do motorista: o pedestre atravessou com o semáforo vermelho, ignorando, ainda, seus sinais de farol e buzina. A versão do pedestre: o semáforo estava verde, o carro corria muito e o motorista não buzinou. Como apurar as causas reais do acidente e determinar quem está falando a verdade? Uma ideia é convocar testemunhas para relatar o que viram. Outras evidências também podem ser coletadas. Assim, haverá mais elementos do que as duas versões díspares e contraditórias. A disciplina de História trabalha de forma muito semelhantes juntando as mais diversas fontes para compor um fato histórico. Às vezes, existem múltiplas referências sobre um mesmo episódio. Em outro momento, ao contrário, sobrevive apenas uma versão. Tempos depois, alguma descoberta pode dar uma nova visão sobre o fato e gerar u,a reinterpretação dos acontecimentos históricos. Ter consciência de que a História não é estática nem feita de verdades absolutas é essencial para o professor e para a formação do aluno. Senão, corremos o risco de cristalizar imagens como a dos índios “bons selvagens” ou a de presos políticos da ditadura considerados “agitadores antipatriotas”. 

Construir opinião própria é um dos objetivos da disciplina. O debate de idéias e o modo como elas são expressas mostram quanto os alunos estão dominando os estudos. O professor deve incentivar o jovem a ter iniciativa e autonomia na realização de trabalhos individuais e coletivos e a fazer uso de diversas fontes históricas em suas pesquisas escolares. Entre os objetivos a ser alcançados pelos estudantes ao final do quarto ciclo, os PCN’s citam: localizar acontecimentos no tempo, refletir sobre o impacto produzido por revoluções tecnológicas, conhecer características do processo de formação e dinâmicas dos Estados nacionais, identificar lutas sociais, guerras e revoluções, reconhecer formas de relações de poder e utilizar conceito para explicar relações sociais, econômicas e políticas. 

As relações de poder sempre regeram a humanidade. Para o quarto ciclo, os PCN’s propõem o eixo temático “Histórias das Representações e das Relações de Poder”. Da mesma forma que ocorre no terceiro ciclo, a proposta desse eixo destina-se a sensibilizar os alunos para estudos do passado e suas relações coma a atualidade.

A disciplina de História é um convite para a utilização de diversos instrumentos além da tradicional dupla giz e quadro-negro. Veja algumas situações didáticas propostas para o professor: 

▪ desenvolver atividades com diferentes fontes de informação (jornais, revistas, livros, filmes, fotografias);
▪ trabalhar com documentos variados, como sítios arqueológicos, plantas urbanas, mapas, vestimentas, objetos cerimoniais e rituais; 
▪ estimular procedimentos de pesquisa, organização das informações coletadas, procedimentos para visitas e estudos do meio; 
▪ promover estudos sobre modos de vida e de costumes que convivem na mesma localidade;
▪ debater questões do cotidiano e suas relações com contextos mais amplos;
▪ identificar diferentes posições defendidas por grupos e instituições para solução de problemas sociais e econômicos; 
▪ distinguir os padrões de medidas de tempo e construir periodizações para os temas;
▪ solicitar resumos orais ou em forma de textos, imagens, gráficos, linhas de tempo; 
▪ propor a criação de murais, exposições e estimular a criatividade expressiva. 

FONTE: 
NOVA ESCOLA, edição especial, Parâmetros Curriculares Nacionais – fáceis de entender, ed. Abril , p. 43 à 48

sexta-feira, 11 de março de 2011

ANTROPOLOGIA CULTURAL - ESCRAVIDÃO E CONTEXTO BRASILEIRO


"A pluralidade cultural brasileira pode ser resumida na busca pela cidadania dentro de uma sociedade multiétnica e pluricultural, caracterísiticas do Brasil. Devido a heterogeneidade de sua população o Brasil, desconhece a si mesmo. Contra esse processo, é necessário reconhecer as diferenças e a realidade histórica do processo de formação de nosso povo. Esse é o caminho mais curto para superar o racismo, a discriminação e o verdadeiro alicerce na construção de uma grande nação."

O destino das pessoas escravizadas em nosso País, foi muito variado e classificado em categorias, principalmente de acordo com o seu local de nascimento e poder de comunicação. 

Além dos nativos das terras brasileiras, chamados pelos europeus de índios ou indígenas, escravizados para suprir as necessidades de mão-de-obra da empresa colonial, no século XVI, negros africanos, foram trazidos a força para trabalhar nas lavouras como escravos. Desembarcaram no Brasil negros de diferentes nações africanas. Traziam conhecimentos agrícolas e outros - como trabalhar o bronze, o cobre, o ouro e a madeira. Havia também, entre eles, muitos tecelões, ferreiros e artesãos. 

O entendimento do processo de colonização de nossa terra reveste-se de maior importância ao constatarmos que problemas existentes desde seu início permanecem até hoje, sem solução. Trazemos, arraigados a nossa cultura, importantes heranças da África: a culinária, a capoeira, religiões, linguagens, músicas, danças, instrumentos musicais, que encontram-se inseridas em nosso cotidiano, transformando efetivamente a história do povo africano em parte da história do Brasil. 

Ainda na entrada do século XXI, terceiro milênio da chamada Era Cristã, a situação da maioria dos brasileiros continua muito semelhante àquela do dia 13 de maio de 1888. Não lhes foi assegurado o acesso à terra, nem qualquer tipo específico de assistência social ou econômica. Esses, constituem a maioria dos brasileiros que não tem educação formal e que não são sequer alfabetizados, não dispondo de qualquer formação técnico-profissonal, que lhes permita ascensão social, porém são cidadãos brasileiros, do ponto de vista político e têm direito ao voto. 

Em fins do século XIX e por todo o século XX, ocorreram grandes migrações internas, contando com elevada participação de afro-brasileiros e todas essas migrações – provocadas por fenômenos naturais ou circunstâncias socioeconômicas – foram realizadas em planejamento e, por esse motivo, os migrantes para as áreas rurais tiveram limitado acesso à posse da terra, enquanto que os que migraram para as cidades mantiveram-se como trabalhadores não-qualificados, recebendo baixos salários e sem acesso a habitação digna, serviços básicos de saúde, educação, higiene e segurança. 

Do ponto de vista das leis e convenções internacionais hoje em vigor, a escravidão pode ser considerada extinta no mundo, com exceção de uns poucos países. Na prática, porém em várias partes do mundo e até mesmo no Brasil, são constatadas situações em que as pessoas são reduzidas a condição análoga à de escravos. 

Tornar-se escravo significa não ter os direitos hoje considerados fundamentais para a vida humana com dignidade, isto é, não dispor de vida própria, do seu corpo, dos seus bens, da possibilidade de ir e vir por livre vontade, de não poder escolher a pessoa com quem constituirá família e nem sequer à prática da religião em que se crê. 

Segundo Mangolim, e Sangiacomo:

Os problemas oriundos de nosso tipo de formação inicial permanecem e exigem solução histórica. Não apenas os relacionados com a forma de apropriação da terra, baseada no latifúndio, mas também com a questão de classe envolvida no caso do racismo brasileiro. A necessidade de se tratar desta questão não como a questão central, como querem algumas entidades do movimento negro contemporâneo, mas também não como mera questão específica, como fazem os partidos e membros da esquerda brasileira é condição imprescindível para que se possa avançar num projeto diferenciado para o Brasil. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. 

BENJAMIN, Roberto – A África está em nós: história e cultura afro-brasileira – João pessoa, PB – Editora Grafset, 2004 - pág 134 e 135 

MANGOLIM, César de Barros / SANGIACOMO, Gláucia – As causas da escravidão colonial e suas conseqüências: traços fundamentais e notas críticas aos desafios atuais – disponível em: http://cesarmangolin.files.wordpress.com/2010/02/mangolin-as-causas-da-escravidao-colonial-e-suas-consequencias-2003.pdf - acesso em 03/02/1011 

MARGARIDA, Rosa de Carvalho Rocha – Almanaque Pedagógico Afrobrasileiro – Editora Mazza – prefácio e apresentação 

NOVA ESCOLA, edição especial, Parâmetros Curriculares Nacionais – fáceis de entender, ed. Abril , p. 15 e 16

sexta-feira, 4 de março de 2011

OLIMPÍADA BRASILEIRA DE ASTRONOMIA E ASTRONÁUTICA - OBA


A OBA é organizada anualmente pela Sociedade Astronômica Brasileira SAB em parceria com a Agência Espacial Brasileira AEB e com Eletrobras Furnas.

A OBA é um evento aberto à participação de escolas públicas ou privadas, urbanas ou rurais, para alunos do primeiro ano do ensino fundamental até aos do último ano do ensino médio. A OBA ocorre totalmente dentro da própria escola, tem uma única fase e é realizada dentro de um só ano letivo. A participação dos alunos é voluntária e não há obrigatoriedade de número mínimo ou máximo de alunos. Ao final da OBA todos alunos recebem um certificado de participação, bem como os professores envolvidos no processo e também os diretores escolares. Veja detalhes no regulamento. 

A XIV OBA ocorrerá na sexta-feira, dia 13 de maio de 2011 em todas as escolas previamente cadastradas para participarem e no horário mais conveniente para a escola, desde que seja na sexta-feira, dia 13 de maio de 2011.

Escolas que participaram da XIII OBA 2010 não precisam se recadastrar e receberá pelos correios entre janeiro e fevereiro detalhadas instruções para a realização da XIV OBA.

Escolas que estavam cadastradas para participar da XIII OBA em 2010, mas não o fizeram receberão uma carta pelos correios entre janeiro e fevereiro na qual serão consultadas sobre a intenção de participarem da XIV OBA em 2011.

Escolas que não participaram da OBA em 2010 e querem se cadastrar para participar em 2011 devem preencher a ficha de cadastro disponível no site http://www.oba.org.br/site/index.php no menu cadastro de escolas. 

Para “continuar” a ler, entre outras coisas, o regulamento, a ficha de cadastro e o resultado do Primeiro Concurso de Fotos da Lua obtidas com os Galileoscópios, promovido pela OBA: http://www.oba.org.br/site/index.php 

FONTE:

quarta-feira, 2 de março de 2011

CÂNDIDO TORQUATO PORTINARI – VIDA E OBRA - BREVE HISTÓRICO


"Estou com os que acham que não há arte neutra. Mesmo sem nenhuma intenção do pintor, o quadro indica sempre um sentido social."

Pintor brasileiro expressionista, nascido no dia 29 de dezembro de 1903 em Brodósqui, cidade do interior paulista, muito lembrada em sua pintura. Portinari frequentou a escola primaria de sua cidade natal, e começou a pintar aos nove anos de idade como auxiliar na pintura de forro da igreja de sua cidade. 

Aos dez anos , fez seu primeiro retrato - ” Carlos Gomes” e aos quinze anos foi estudar na Escola Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro. Durante seus estudos na ENBA, Portinari começa a se destacar e chamar a atenção tanto de professores quanto da própria imprensa. Tanto que aos 20 anos já participa de diversas exposições, ganhando elogios em artigos de vários jornais. Mesmo com toda essa badalação, começa a despertar no artista o interesse por um movimento artístico até então considerado marginal: o modernismo. 
Em 1922, estreou no salão com um retrato que não chegou a despertar maior atenção. Em 1923, conseguiu seu primeiro êxito e alguns prêmios, com o retrato a óleo do escultor Mazzuchelli. Depois de vários outros sucessos, conseguiu em 1928, o prêmio de uma viagem ao exterior, com o retrato do poeta Olegário Mariano, poeta pernambucano.

Recebeu então, uma quantia em dinheiro do governo brasileiro e foi para Paris. No início dos anos 1930, na França, Portinari conheceu Maria Victória, jovem uruguaia que morava em Paris. Casaram-se e viveram na Europa por mais um ano. 

De volta ao Brasil, trabalhou como nunca. Pintou diversas telas sobre sua infância e Brodósqui.

A partir de 1936, Portinari desenvolveu a pintura de murais, onde temas sociais encontravam-se sempre presentes. Em 1939 pintou murais para o pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York e em 1943, já famoso por sua pintura muralista, começou a pintar os painéis da Série Bíblica, expressando nos mesmos sua amargura diante da injustiça.

A convite do arquiteto Oscar Niemeyer, em 1944 iniciou as obras de decoração da Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha em Belo Horizonte. Nesse mesmo ano trabalhou nas pinturas da Série Retirantes

A partir dessa série , o artista atinge o auge de sua emoção. Resgata imagens de sua infância: famílias pobres e desabrigadas que passavam por sua cidade.


No final da década de 1940, fez uma série de obras tratando de temas históricos

Portinari foi considerado pela crítica especializada, o maior pintor brasileiro de todos os tempos. 


Dentre suas obras destacam-se: “Via Crucis” no Museu de Artes de São Paulo, “Primeira Missa” na Catedral de Belo Horizonte, “Tiradentes” no Banco Boavista no Rio de Janeiro e “Guerra e Paz” no Colégio Cataguases , na sede da ONU.

Cândido Portinari faleceu em 1962, preparando-se para uma grande exposição de cerca de 200 obras a convite da Prefeitura de Milão, vítima de intoxicação pelas tintas a óleo que utilizava. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Hora da pesquisa: 3415 verbetes de pesquisa de A a Z em ordem alfabética – Curitiba, PR : Bolsa Nacional do Livro, 2002. 624p;20,5x27,5 – p. 143
Rosa, Nereide S. Santa – Cândido Portinari/ Nereide Schilaro Santa Rosa – São Paulo: Moderna, 1999. _ (Coleção mestres das artes no Brasil)

terça-feira, 1 de março de 2011

POLÍTICAS PÚBLICAS E TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS - o novo perfil do estudante

Conceituam-se políticas públicas, as ações em execução pelo Estado para efetivar as prescrições constitucionais sobre as necessidades da sociedade em termos de distribuição e redistribuição das riquezas dos bens e dos serviços sociais na esfera federal, estadual e municipal. São políticas de economia, educação, saúde, ciência, tecnologia, trabalho, etc.

Frente as ações políticas na sociedade moderna, a influência das tecnologias educacionais, imputam ao estudante um novo perfil.

Tecnologia educacional é a área de conhecimento onde a tecnologia se submete aos objetivos educacionais, amparando o processo ensino/aprendizagem, propiciando formas adequadas na utilização de seus recursos em prol da educação.

As tecnologias em geral, das mais simples às mais sofisticadas, ampliam o potencial, aprofundam a visão humana e vem transformando o planeta seja no plano físico ou intelectual. Da lousa e giz aos computadores ligados à internet, muitas são as tecnologias que, utilizadas adequadamente, podem auxiliar o universo educacional: 

•  livros didáticos permitem garantir a todos o acesso a um conjunto mínimo de informações; 
•  assinaturas de jornais e revistas oferecem notícias atualizadas; 
•  um vasto acervo na biblioteca, potencialmente, amplia e aprofunda a pesquisa;
• bons laboratórios de ciências podem levar a criar/recriar experiências científicas; 
•  recursos audiovisuais aproximam os estudantes de realidade distantes;
• computadores oferecem uma infinidade de possibilidades de acesso à informação, à comunicação, à simulação... 

Contínuas transformações tecnológicas em todo o mundo vem influenciando as relações culturais, políticas e sociais. Neste contexto a Escola, que tem um papel reconhecidamente fundamental no desenvolvimento intelectual, social e afetivo do indivíduo, precisa estar atenta e inserida em uma sociedade de bases tecnológicas, não se permitindo ignorar as suas alterações principalmente no que diz respeito às tecnologias da informação e da comunicação – TIC, que provocam uma outra forma de como as pessoas vêem o mundo, sem desprezar o potencial pedagógico que as mesmas apresentam quando incorporadas à educação. 

Diante desse contexto, tecnologias educacionais deixam de ser encaradas como meras ferramentas, cabendo a escola incorporar em seu trabalho, apoiado na oralidade e na escrita, outras formas de aprender (apoiadas na visão, na audição, na simulação, na criação) possíveis com uma tecnologia cada vez mais avançada. Mais do que resistir, é preciso desvendá-la e, conscientemente, fazer uso dela. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda – MINIAURÉLIO Sec XXI Escolar: o minidicionário da língua portuguesa. 4.ed.rev.ampliada – Rio de Janeiro: NOVA FRONTEIRA, 2001 

KAMPFF, Adriana Justin Cerveira – Curitiba IESDE S.A. , 2008 – p.11 e 12 MORAN, José Manuel. O diploma vale, e o mercado precisa. Carta na Escola, nº 45, abril de 2010. p. 6-9.