quarta-feira, 1 de setembro de 2010

PEDAGOGIA NÃO-DIRETIVA E SEU PRESSUPOSTO EPISTEMOLÓGICO - ação discente libertária e ação docente inconsciente: atuações que não se complementam

A teoria da ciência que fundamenta essa postura pedagógica é chamada de apriorismo ou inatismo. A mesma baseia-se naquilo que é posto antes como condição do que vem depois, ou seja a bagagem hereditária do aluno é que determina o seu aprendizado. Segundo Reale e Antireri, (1991) um dos estudiosos mais conhecido e defensor do inatismo é Noham Chomsky, que evidencia que, no sujeito, a competência implica atividade criadora, de forma que, nenhuma teoria, empirista e comportamentalista, explica a “competência” lingüística de uma criança, por exemplo. 
O professor não – diretivo acredita que o raciocínio já nasce com a criança, e em sua prática crê que precisa apenas despertá-lo, imputando ao estudante inclusive a determinação de suas ações docentes, entendendo que o aluno é auto-suficiente, não permitindo desta forma uma relação mútua fecunda, o que resulta em um ambiente desfavorável para o processo de ensino aprendizagem, em que o professor é despojado de sua função e o aluno elevado a um status que não possui. 

Becker (2001) - Tradução de modelo epistemológico em modelo apriorista:

 O aluno, pelas suas condições prévias, determina a ação (inanição) do professor.

Diante do exposto, o processo de ensino aprendizagem, que encontra-se fundamentado em teorias e práticas essenciais para a formação integral do educando e que necessita da orientação e intervenção do professor, torna-se completamente debilitado em se tratando do docente não-diretivo que inconscientemente, acredita que os alunos aprendem por si só e a partir de sua genética, não interferindo em seus processos de aprendizagem, o que leva os mesmos, a partir de suas condições prévias a determinar a ação do professor que atua como parte inerte nesse processo. 
Como exemplo prático, dessa teoria, pode–se citar a escola Summerhill, fundada na Inglaterra, na década de 20 sob inspiração de ideais libertários e teorias psicanalíticas, que tornou-se referência de ensino alternativo, nas décadas de 60 e 70, por oferecer aos alunos um sistema de autogestão e nenhuma repressão, onde as crianças e jovens estudantes, não são obrigados a assistir às aulas, nem a fazer o dever de casa, e só comparecem para fazer provas se lhe derem vontade, o que leva o governo Inglês a relatar: “A escola confunde liberdade educacional com o direito de não ser ensinado. Por causa disso, muitos alunos entendem o exercício da liberdade pessoal como permissão para levar uma vida indolente”. A escola, que tem cerca de 100 alunos, permanece funcionando. Mas vira e mexe o governo inglês ameaça fechá-la. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 

BARRA, Vilma Maria Marcassa. Fundamentos Teóricos e Prática Educativa das Ciências Naturais. IESDE Brasil S.A., 2009. p. 37-41

BECKER, Fernando - Educação e Construção do Conhecimento. Disponível em http://tudosobre.com/concursos/3/BECKER,%20Fernando%20-%20Educa%C3%A7ao%20e%20Construcao%20do%20Conhecimento.pdf (acesso em 21/08/2010) 

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda – MINIAURÉLIO Sec XXI Escolar: o minidicionário da língua portuguesa. 4.ed.rev.ampliada – Rio de Janeiro: NOVA FRONTEIRA, 2001. 

REVISTA VEJA. S. Paulo: Editora Abril. Edição 2174. ano 43. nº 29. 21 de julho de 2010. p. 91

Um comentário:

  1. Diretivismo o não-diretivismo parecem questões já superadas, pelo menos do ponto de vista epistemológico. Todavia, em pleno 2013 ainda se insiste em discutir se o professor tem autoridade e competência para conduzir o aluno, ou se o aluno aprende sozinho, quando, na verdade, o processo ensino e aprendizagem precisa respeitar a autonomia do indivíduo que aprende, porém este necessita de suportes que o auxiliem no processo de maturação intelectual.

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